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A “Food Biker” e sua boina de francesinha

Postado 2018/04/29
 

Uma visão de empreendedorismo

A imagem
Uma imagem de francesinha chama a atenção dos transeuntes de uma movimentada avenida em um bairro residencial do Rio de Janeiro. Na calçada, perto de duas agências de banco, uma farmácia e um jornaleiro, uma personagem muito bem elaborada está acompanhada de sua bicicleta toda trabalhada fazendo de ambas, ela e sua bicicleta, uma nova e admirada figura no bairro.
Todos os dias, lá está ela cercada de pessoas, a conversar e... A fazer negócios!
Isso mesmo! A personagem muito bem cuidada mostra-se também uma pessoa agradabilíssima e uma empreendedora de verdade.
As pessoas param em volta de sua bicicleta para conversar com ela, para saber quem foi que idealizou e confeccionou a boina que ela usa, as pessoas acham tão bonita a peça que algumas perguntam se a boina de francesinha está também à venda! As pessoas param para comprar brownies, cookies, trufas... Minha Nossa... Deliciosos!
Em pouco tempo de conversa com esta empreendedora vi que as pessoas param, conversam, compram... E voltam para conversar, comprar e encomendar!

Em pouco tempo de conversa com esta empreendedora vi que as pessoas param, conversam, compram... E voltam para conversar, comprar e encomendar!

Um sucesso, pouco tempo depois de implantado o negócio.
“Mas que sorte deu essa menina, não é mesmo?” Só um desavisado ou um lunático pode imaginar que a sorte foi o fator crítico de sucesso; no entanto, na maioria das vezes quando um empreendedor começa a expressar-se com um negócio bem sucedido, muitos creditam à sorte, quase que exclusivamente, o fato dele ter alcançado seus objetivos.
 
Um repensar de vida
Quem é afinal esta empreendedora na forma de francesinha?
O que fez ela arriscar-se em um novo negócio?
Como interessado nas questões da qualidade e do empreendedorismo, eu parti para conhecer melhor o “FoodBike Bistrô Justens House” e sua dona.
O nome dela é Roberta. Roberta Justen Vieira. Mulher empreendedora na faixa etária entre 26 e 35, solteira, com nível superior e um filho de 17 anos que, de certa maneira, a conduziu para o empreendedorismo. Roberta é formada em Educação Física. Fato é que a grande paixão de Roberta é o circo; ela é formada em Arte Circense. Roberta é artista circense acostumada com as agruras do circo e com a arte do malabarismo com os pés (antipodismo, como ela mesma me ensinou); mas não preparada para viver longe do seu filho. Outro fator preponderante foi o quadro atual e difícil dos circos que não propicia contratos mais duradouros que permitam certa estabilidade financeira.
Assim, Roberta partiu para um novo tipo de negócio que, de novo, foi provocado pela convivência com o filho. Ao fazer um doce para eles comerem veio a sugestão: “Porque não fazemos para vender?”.
O caminho que partiu do desejo de ficar perto do filho, dar-lhe atenção e cuidados maternos em uma fase de adolescente, passou pela esperança de ter uma renda estável e apresentou a ideia de fazer brownies para vender, mostrou-se um caminho difícil no início.  Uma das etapas a ser vencida seria responder o “Como?”. Aí veio a ideia do Food Bike!
 
Entendendo o conceito de Food Bike
Os Food Bikes, comparados com outros negócios exigem um investimento pequeno, não necessitam de investimento em aluguéis de lojas e não ocupam muito espaço. Um tipo de negócio bem do jeito que Roberta estava disposta a assumir. Mesmo assim, ela teve de colocar todas as economias para fazer o negócio nascer de acordo com o seu sonho. O dinheiro era curto...
Vale lembrar que erra feio aquele que afirma que o conceito de comida de rua nas grandes cidades iniciou-se com os “food trucks”. Na verdade este conceito é secular. No século 19, o artista Debret colocava seus traços em muitos desenhos retratando o comércio nas ruas cariocas. O Aluá e o Angu eram produtos oferecidos. Este último foi considerado pelo artista como verdadeira iguaria. Vender produtos sobre equipamentos com rodas também não é nenhuma novidade trazida pelos “food trucks”. A novidade dos “foods” reside na qualidade dos produtos, de preferência sofisticados, associados com uma imagem muito bem elaborada do ponto de vendas sobre rodas. Boa imagem e bons produtos sobre rodas, de preferência com um bom “chef” por detrás!
Percebendo a “diferença mágica” entre aquilo que entendíamos no passado por comida de rua e a moda dos “foods”, Roberta dedicou-se a desenhar o seu negócio de “Food Bike”. Não faltaram aqueles para desencorajá-la, personagens comuns na vida da maioria dos empreendedores...
 
Ponto forte e ponto fraco
Mesmo não sendo seu ponto forte, e talvez por esta razão, a empreendedora mostrou-se em nossa entrevista preocupar-se com a legislação vigente. Ela está a par do projeto de lei que dispõe sobre o “Food Truck” e a “Food Bike” que altera o Decreto-Lei nº 986, de 21 de outubro de 1969, que “institui normas básicas sobre alimentos”. Não poderia ser diferente, visto que sem os recursos de uma grande empresa os pequenos empreendedores têm de ser de tudo um pouco. Desta maneira, as atualizações em questões legais, jurídicas, administrativas e financeiras têm de fazer parte do cardápio de Roberta que está posicionada legalmente como Microempreendedor Individual. Manter-se atualizada é prática comum da “food biker” e sua fonte é principalmente a Internet.
Segundo Roberta, seu ponto fraco está em vendas. Imagino se fosse o ponto forte, visto que em todo o tempo da entrevista os clientes não paravam de chegar. Uns para conhecer os produtos; outros para comprar; outros para encomendar e ainda assisti uma proposta feita para ela participar de um evento de um dia inteiro (algo que reputo deve ser muito bem estudado antes da aceitação).
Seu ponto forte, segundo ela é o marketing, visão que tive de compartilhar. Sua bicicleta estilizada realmente chama a atenção. É atraente. Sua vestimenta também foi muito bem idealizada. Suas embalagens são bem feitas. E o trato com os clientes é levado com muita seriedade.
Roberta cuidou de tudo. Desde o desenho da “bike”, sua vestimenta, a boina clássica e, principalmente as receitas dos brownies, cookies e trufas. O início de cada dia cobra a presença dela em sua casa, na cozinha, com a preparação e embalagem das unidades de venda. Depois por volta de 11h00, ela já está em seu ponto de venda.
 
Os ganhos
Ela ainda não fatura o mesmo quando estava com vínculo empregatício, mas sabe que isto faz parte da caminhada. Seu negócio, na data de nossa entrevista, não tinha passado de três meses.
Ela ainda mistura suas contas pessoais com as contas da empresa, mesmo se esforçando em não fazer. A teoria de “não misturar” é certa, mas a vida e as contas por pagar não respeitam teorias...
... Suas expectativas são boas. Em breve, pelo que pude constatar, seu faturamento compensará todos os riscos e esforços. Isso sem contar com as possíveis oportunidades que poderão surgir, uma vez que a qualidade de seus produtos e a sua visão de marketing podem até mesmo provocar o surgimento de uma franquia no futuro.
 
O que não repetir
Minha pergunta final para ela foi:
P: Se você fosse iniciar de novo o que você não faria?
Roberta: Santarem, eu tenho recebido e aceito encomendas de grandes quantidades as quais me tomam horas de trabalho acima de minhas forças normais. Apesar de não ter impactado na qualidade dos produtos nem no tempo de entrega, tive perdas durante o processo que poderiam ser evitadas se tivesse gente de confiança e devidamente treinada para me ajudar temporariamente em tais situações. É o que pretendo fazer daqui para frente.
Fato inegável, ela está feliz. Ela já é um sucesso.
 
Referências
 
 

 Licença Creative Commons
O trabalho "A “Food Biker” e sua boina de francesinha" de Carlos Santarem está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://eumetamorphosis.blogspot.com.br/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em www.squalidade.com.br.