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Bom Saber


Entre o Lobby do Fornecedor e a Apatia do Consumidor

Postado 2019/03/22

 

O cidadão brasileiro tem provocado mudanças na relação de consumo. Essas mudanças estão promovendo alterações em políticas empresariais, na seara de atendimento às reclamações do consumidor e no campo técnico de análise e tratamento de produtos não conformes. São ações ainda extremamente tímidas, quando as comparamos com aquelas observadas em outros países; mas são dignas de nota, visto que as mudanças positivas estão aí.

As conquistas e seus contrapontos

Conquistas existem. São resoluções publicadas por agências reguladoras e também leis que promovem um cuidado maior com o consumidor e definem, inclusive, punição em casos de não cumprimento.

Por outro lado, há quem diga que, ao contrário do objetivo nobre que provocou a criação das agências reguladoras, enxerga-se medidas exaradas por elas que mais parecem textos que advogam em nome do fornecedor do produto e/ou serviço. Convenhamos que, exata ou não, esta visão é uma projeção que alguns setores da sociedade enxergam atualmente e começam a estimular um debate sobre esta questão. Da mesma maneira, nas casas legislativas, temos visto posicionamentos de certos políticos que parecem estar na contramão da defesa do consumidor.

Em defesa do consumidor, são sites e mais sites, redes e mais redes de relacionamento tratando a respeito da (falta de) qualidade dos produtos comercializados e tratando da verdadeira peregrinação dos clientes para serem ouvidos e bem tratados pelos seus fornecedores. Alguém nega a força do Facebook, do Twitter e do WhatsApp na mobilização de pessoas?

Enquanto isso, preocupadas com suas reputações, muitas empresas, em suas instalações, exibem enormes painéis mostrando a “Missão” da companhia e como os seus clientes são importantes. Muitas delas com certificados de sua qualidade (?) afixados em locais visíveis aos clientes, mostram-se com atitudes de verdadeiro pouco caso com os seus consumidores.

O quadro mostra conquistas, mas ainda vislumbra um cenário de muitas batalhas futuras no sentido de assegurar uma boa relação entre o consumidor e o fornecedor, em uma verdadeira relação ganha-ganha.

 

As ações das empresas e seus movimentos proativos

O conjunto de ações que muitos segmentos do mercado adotam aproximando-se dos legisladores, buscando influenciar as decisões do poder público, é válido desde que eticamente conduzido e em favor de seus próprios interesses.  Assim fazem as empresas. O ato proativo de esclarecer os legisladores sobre as características de seus negócios, seus produtos e serviços pode evitar leis que prejudiquem os seus segmentos. O nome para isso é “Lobby”.

E existe “lobby” ético e, também, o “lobby” imoral? Existem ações predeterminadas no sentido de, a qualquer custo, interferir nas decisões do poder público, em benefício de interesses comerciais considerados escusos? Sabemos que há casos declarados em todo mundo que, infelizmente, nos mostram que sim. Existe o “lobby” imoral.

Esse quadro mostra um movimento de empresas que não espera que leis cheguem até elas, já prontas a lhes dificultar. Elas se adiantam em “lobbies”. Correto seria que todos os países regulamentassem a prática de “lobby” (ético, é claro!).

 

Os “lobbies” dos consumidores e sua apatia.

Alguns consumidores reagem de maneira contundente quando enxergam atitudes erradas das empresas.

Sabemos todos que, por causa de preços aviltantes em uma grande cidade europeia, mulheres deixaram de comprar carnes nos açougues. Os comerciantes sofreram, pagaram o preço e baixaram seus preços! Sabemos de consumidores que deixaram de comprar camisetas de uma grande multinacional, no ramo do entretenimento, porque descobriram que a empresa americana utilizava fornecedores asiáticos com trabalho escravo infantil. São muitos os “cases” de interferências dos consumidores.

E quanto ao que acontece nas casas legislativas?

Apesar dos consumidores brasileiros possuírem entidades que digam defender seus interesses, eles têm uma poderosa ferramenta de defesa de seus direitos em mãos; por desconhecimento, não a estão utilizando. Esse desconhecimento o torna apático.

 

A nossa interferência no poder público

Refiro-me às consultas públicas que são disponibilizadas na internet pelo Senado Federal as quais você pode, como cidadão, dar a sua opinião (“Sim” ou “Não”) de maneira que, junto com outras opiniões criará uma impressão que o Senado gostaria de saber. Certo é que as consultas públicas são um mecanismo cívico de interferência do cidadão; do consumidor que pode posicionar-se como outros tantos consumidores fazendo dezenas, centenas, milhares de votos em todos os projetos de lei!

Hoje tem político consultando as redes antes de dar seu voto; se o voto for aberto então...

A exemplo do que escrevi antes: Alguém nega a força do Facebook, do Twitter e do WhatsApp na mobilização de pessoas?

Escrevo agora: Alguém nega a força de uma consulta pública pela Internet, promovida pelo Senado Federal, na mobilização dos políticos?

Reclamar e posicionar-se pelo Facebook, pelo Twitter, pelo WhatsApp e por outras redes é muito importante, mas não basta. Façamo-nos ouvir, através de tais consultas públicas, antes de leis que nos desagradem sejam aprovadas nos prejudicando como consumidores.

 

Sejamos milhões em todas elas!

Ah, se você concorda comigo, acesse o site do Senado Federal, conheça as proposições em consulta e, seja qual for a sua opinião, registre o seu voto.

Experimente fazer isso todos os dias, vendo quais são os novos projetos. Envie para sua rede e divulgue o que está em Consulta Pública.

Sejamos milhões em todas elas!

 

Licença Creative Commons
O trabalho "Entre o Lobby do Fornecedor e a Apatia do Consumidor" de Carlos Santarem está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



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